Wagner Moura se prepara para cruzar o tapete vermelho do Oscar neste domingo (15). Vencedor ou não, ele já fez história por ser o primeiro ator brasileiro a concorrer à mais importante premiação do cinema. Quase ninguém lembra, mas, há 18 anos, o artista foi submetido a um momento infame na cerimônia de uma outra premiação.
Tudo aconteceu quando Wagner saía do prêmio da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA), que o elegeu o Melhor Ator de Novelas daquele ano por seu inesquecível trabalho em “Paraíso Tropical”.
“Fui abordado por um rapaz meio abobalhado. Ele disse que me amava, chegou a me dar um beijo no rosto e pediu uma entrevista para seu programa de TV no interior. Mesmo estando com o táxi de porta aberta me esperando, achei que seria rude sair andando e negar a entrevista, que de alguma forma poderia ajudar o cara, sei lá, eu sou da época da gentileza, do muito obrigado e do por favor, acredito no ser humano e ainda sou canceriano e baiano, ou seja, um babaca total”, iniciou Wagner, em um artigo publicado pelo jornal O Globo.
Wagner conta que, no meio da entrevista, foi surpreendido por um outro repórter, que passou a mão melecada de gel em sua cabeça. Ele não cita o nome do programa, mas quem viveu os anos 2000 não vai ter dificuldades de identificar. Foi uma obra do “Pânico na TV”, exibido pela RedeTV! na época.
Além disso, o repórter ainda abriu a porta do táxi com Wagner já dentro, pronto para sair após o constrangimento. “Na hora eu pensei, como qualquer homem que sofre uma agressão, em enfiar a porrada no garoto, mas imediatamente entendi que era isso mesmo que ele queria, e aí bateu uma profunda tristeza com a condição humana, e tudo que consegui foi suspirar algo tipo 'que coisa horrível' (o horror, o horror), virar as costas e entrar no carro. Mesmo assim fui perseguido por eles.”
Wagner afirma que, no dia seguinte, chegou um e-mail com um pedido de desculpas. Mesmo assim, a cena foi ao ar. “Não sou celebridade de nada, sou ator. Entendo que apareço na TV das pessoas e gosto quando alguém vem dizer que curte meu trabalho, assim como deve gostar o jornalista, o médico ou o carpinteiro que ouve um elogio. Gosto de ser conhecido pelo que faço, mas não suporto falta de educação. O preço da fama? Não engulo essa”, refletiu.
Segundo o jornal O Globo, os comediantes responsáveis pela “pegadinha” com Wagner foram Fábio Rabin e Daniel Zukerman, que, tempos depois, ganhou fama pelo quadro “O Impostor”. Os dois se passavam pela dupla de repórteres Silveira e Silveirinha no quadro “Na Madrugada”.
De acordo com o jornal Estado de São Paulo, atores da Globo mobilizaram um boicote ao programa em resposta à brincadeira. Os artistas se solidarizaram porque Wagner sempre foi querido no meio e com a imprensa e não merecia ser alvo do “Pânico”, que costumava azucrinar celebridades tidas como antipáticas. “Eles mexeram com a pessoa errada”, destacou a colunista Keila Jimenez.
Já segundo o portal NaTelinha, os humoristas do “Pânico” levaram um “puxão de orelha” da alta cúpula da RedeTV! após o episódio.
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